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A Coragem de seguir adiante ou … 23/01/2012

Posted by Liduina Benigno in Ensaio.
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Há algum tipo de coragem quando escolhemos prosseguir ...

O tempo recomeça em 2012. É preciso tirar do papel as listas de desejos e os planos de ação. Colocar neles, alguma circulação sanguínea. Dar-lhes vida. Para isso é preciso coragem.

Sempre que falamos em coragem, pensamos em medidas drásticas. Lembramos de gente famosa que fez escolhas extremas ou produziu grandes feitos. Incontáveis figuras foram fonte de inspiração para os artistas, em decorrência do destemor de suas decisões.

O escritor inglês, Somerset Maugham escreveu o livro Um Gosto e Seis Vinténs sobre a vida de Paul Gauguin. E o que o fez dedicar-se a expressar, na sua obra, a vida do pintor francês foi o estilo de vida  escolhido por Gauguin. Ele largou uma vida confortável, família estruturada e foi embora para o Tahiti, perseguir a realização pessoal investindo no seu pendor artístico.

Mas, e nós, seres comuns e anônimos não somos compelidos a exercitar algum tipo de coragem na vida cotidiana?

Cor e ação. A coragem nos anima. É ela que nos lança adiante. É a cor do que fazemos. Todos precisam de algum tipo de coragem  para continuar vivos. Então, talvez devêssemos, de vez em quando, olhar para essa emoção com vagar. Aprender mais sobre encorajar-se.

Intuição e desejo. A palavra coragem origina-se da mesma raiz etimológica de coração, órgão carregado de significado como centro que nos impele à emoção e à ação. E a coragem é realmente uma emoção visceral. Tem muito de pulsação, de intuição e de desejo.

Talvez por essa razão, há quem diga que todo tipo de coragem traz embutido um certo nível de estupidez. Entretanto, a coragem genuína alia ação, emoção e discernimento. Sem alguma clareza de nossos atos, podemos estar sendo impulsivos. Mas o corajoso é alguém que alia a animação e a perseverança do ato focado no objetivo, sem perder de vista suas implicações. Sem medos exagerados, mas com prudência.

O escritor inglês Rudyard Kipling, vencedor do Prêmio Nobel em 1907, escreveu no poema Se, a mais perfeita tradução do que seja a coragem. Depois disso, quem quiser desenvolver o assunto, precisa lançar mão da sabedoria contida naqueles versos que  na sua primeira parte, dizem assim:

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses ainda achas uma desculpa
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais ou pretensioso.

Como encaramos nossos próprios atos? E realmente, é essencial o papel do autoconceito e do autocontrole como  determinantes do ânimo e  da perseverança, elementos que nutrem a coragem. Há que não substimar a própria capacidade de seguir em frente, mantendo a autoconfiança. Esta atitude robustece a vontade.

Talvez, tão essencial quanto manter a autoconfiança é não se colocar como vítima, não superestimr o esforço de cada pequeno passo. Os que param muito de caminhar para se quexar, acabam sendo ultrapassados pelos que se dispõem a manter ritmo e disciplina em direção às própria metas. Ou é ultrapassado pelo próprio desânimo e medo.

Atitude.  Ter atitude tem valor. A atitude é a ação  afirmativa do que somos, por isso, seu efeito é potencializador do êxito. A atitude opõe-se ao gesto vacilante e inseguro, incapaz de firmar propósitos. Os versos de Kipling nos exortam a isso:

Se és capaz de pensar – sem que só a isso te atires;
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores;

Dar à vida todo o valor e brilho. O poeta Gonçalves Dias, na sua  Canção do Tamoio, diz que: ‘a  a vida é luta renhida, que aos fracos abate’. Com toda a reverência ao poeta maranhense, talvez seja melhor não nos classificarmos como fracos e fortes. Toda classificação reduz. E aos seres humanos, nos diminui. Quem sabe seja melhor visualizar pessoas que sabem viver em plenitude, a atitude da coragem. Que sabem atribuir à vida valor e brilho por meio de seus atos, mesmo os menores, escondidos nos gestos cotidianos.

Se és capaz. O desafio é duplo. Acreditar-se capaz e agir no sentido de confirmar a crença. E fazer isso, dando cada passo com vigor, mas se permitindo fazer paradas para ficar feliz com o que já foi caminhado e respirando para alimentar os pulmões e fortalecer o coração para as passadas que ainda serão exigidas. Manter a disposição reforça a coragem. Impulsiona o caminhante a prosseguir.

Seguir aprendendo.  As lições contidas no poema Se de Kipling são uma ótima provocação para mantermos a curiosidade amolada. Talvez seja essa a receita. Aproveitar as vicissitudes do caminho para fortalecer as pernas e, assim, alcançar o ponto de chegada, sabendo mais. Isto pode facilitar as próximas jornadas. E quem sabe ajuda-nos a chegar melhor do que éramos na largada.

Boa lição. Para um bom aprendiz, nada melhor que boas lições.Então, fica a mensagem do final do poema de Kipling, a nos provocar eternamente para o valor do coração, digo, da coragem:

Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que nela existe.

Ir ou ficar. Seguir sozinho ou buscar companhia. Experimentar novo caminho ou fortalecer pernas e vontade ...

Dedico este ensaio a Jovina G. Benigno que acena aos desafios com coragem e amor. E a Elieuza Sampaio, alguém que se lança aos próprios projetos munida de singular coragem.

2011 – Ainda há tempo de semear lírios … 26/12/2011

Posted by Liduina Benigno in Ensaio.
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Lodo ou lírios? Depende muito das atitudes tomadas...

2012. Quem já não pediu um pouco de sorte para o ano novo? Todos querem ter sorte. E cada um tem sua própria visão do fenômeno.

Sorte. Há os que atribuem o poder da sorte à Força Divina. Outros consideram que a sorte é determinada pela mão implacável do destino. Alguns tantos a enxergam como o resultado da energia cósmica movendo as rodas do universo. Há, ainda, quem veja os acontecimentos como frutos do acaso; como se tudo fosse movido pela alavanca da aleatoriedade, unindo vidas, separando histórias,  enfim,causando tudo. Outros só creem no próprio poder e seguem considerando ter o domínio dos fios que tecem a existência.

Quem sabe a sorte não seja a conjunção de tudo isso? Mas, a despeito da visão de cada um, que parte nos cabe no desenho da bem-aventurança ou do infortúnio que nos alcança?

Muros e pontes.  A resposta a essa questão remete para condutas pessoais. Existem dois tipos de atitudes. Há as que facilitam a existência. São atitudes que agilizam e embelezam a vida: gestos de  simpatia, acolhimento e civilidade. Condutas pessoais  que como lírios espalham leveza e beleza e diminuem a distância entre dificuldades e soluções. Por outro lado, há atitudes que têm função oposta, próprias de quem se fecha e põe má-vontade ou indiferença como barreiras ao pleno viver.

Lodo ou lírio? Sem querer ser maniqueísta, parece que, dependendo das próprias atitudes, nos dividimos entre sedimentadores de lodo e cultivadores de lírios. Natural que sendo falíveis, vez ou outra, tenhamos experiências classificáveis no extremo lodoso. Mas, alguns, por alguma razão, acabam fixando-se nessa opção. Agem, com frequencia, como muros intransponíveis.

Cultivando os lírios da arte de viver. Em contraponto, às pessoas rígidas, existem os seres de flexibilidade, cujo convívio traz mais aspectos a desfrutar do que problemas a suportar. São  indivíduos movidos pela busca de tornar as circuntâncias mais luminosas e fluidas; são seres mais empáticos, com condutas sociais que irradiam agradabilidade.

Lodo. A palavra lodo tem a mesma etimologia de luto. Vem do latim lutulentus e nomeia  terreno de difícil mobilidade pela presença de  terra, água parada  e detritos orgânicos. Talvez daí, a gênese comum das duas palavras. A dificuldade de sair do estado de pesar quando se está de luto também lembra a imobilidade. A rigidez de atitudes  de quem recusa-se sem motivo aparente a adotar um estilo de vida mais criativo e edificante também é imobilizadora. Mas o luto é um momento de crise, cuja rigidez é parte do processo de elaboração da perda. Já a rigidez de hábitos é fruto de percepções e hábitos equivocados  e pode ser alterada.

É possível. O escritor chinês, Mervyn Peake diz que não existem poções mágicas ou criaturas míticas que possam construir um mundo bom para se viver. Para ele, tudo depende de ‘vencermos a virulência do autointeresse, ultrapassarmos a insensatez da vaidade para sermos capazes de reconsiderar velhos hábitos e preconceitos arraigados’. E realmente, parece que toda mudança deve começar em quem as deseja.

Ainda há tempo. Para começar bem o ano é bom aparar as arestas do antigo. Um autoexame  e a disposição para lidar com velhos hábitos é essencial. Sair do lodo do que nos diminui ou infelicita implica  tentar perceber o mundo com lentes mais sensíveis. E  a partir da nova visão, transformar, primeiro pequenos hábitos, principalmente em relação à convivência com quem está mais próximo a nós, para em seguida, ampliar o circuito de bem-estar. E há vantagens bem concretas na mudança. Além de afetar positivamente o mundo, ser agradável beneficia a saúde. Pesquisas mostram que longevidade e empatia caminham  juntas.

Coragem para mudar. Nossa vida social reproduz muitos dos valores e hábitos de casa. George Eliot dizia: ‘As pessoas glorificam todo tipo de coragem, exceto a que poderiam mostrar em prol de seus pares mais próximos’. E parece ser real a forma como relaxamos  nossa postura social em relação às pessoas com quem mais convivemos. E como estar pronto para uma vida feliz fora dos muros de casa, se no lar descuidamos da gentileza, da gratidão e da reciprocidade que são os pilares da convivência?

Um feliz ano novo? É possível começar agora a semear os lírios para a  existência feliz. Depende, em muito, de nós, como versejava  Drummond: 

‘É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.’

Feliz 2012!

Não há mágica sem mérito ...

Balada para o Discernimento… 18/12/2011

Posted by Liduina Benigno in Ensaio.
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Sonho, reflexão e discernimento operam a mágica

Dezembro. Os pêndulos do relógio estão cada vez mais próximos de fazer a última viagem entre um extremo e outro, encerrando 2011. É o período da colheita. É tempo de visualizar triunfos e frustrações. Construir nova lista de desejos. E este ato tão popularizado, tão repetido no fim de ano não merece um momento de reflexão?

A confecção de uma “lista de desejos” tem efeito parecido com o dos rituais tribais de passagem – símbolos de ultrapassagem ou  chegada a períodos críticos  da vida. Por esse motivo, talvez devêssemos dar mais importância a esse momento. Não pelo ato em si, mas pelo que suscita.

Desejo e medo. Confeccionar um rol de desejos força-nos a entrar em contato com  o que tememos e  com o que almejamos. Elementos que traduzem o núcleo mais consistente do que somos.  Então, porque não valorizar mais esse ritual? Por que realizá-lo como se fosse um simples check-list? Por que não refletir mais  e colher maior discernimento?

Discernimento. Dante Alighieri, na sua Divina Comédia, compara a lucidez  à luz do sol. Para ele, ver sob a luz é que: ‘ desvanece as névoas das paixões e mostra todas as veredas”. O poeta italiano tem razão. Em qualquer situação, a clareza de ideias leva à  lucidez de julgamento e  ao maior acerto nas apostas e escolhas.

Reflexão. A questão é que não estamos habituados à profundidade. Talvez possamos dizer que costumamos ficar na superfície.  Planejamos com ligeireza e julgamos com preciptação. E desses hábitos costumam sair decisões  imperfeitas. E não há saída possível: a lucidez exige o pensar.  E o pensamento pede a reflexão. É da reflexão que o pensamento se nutre.

Verniz ou substância. E por que nos limitamos a ‘arranhar o verniz’, atravessamos anos sem conhecer a substância que nos encorpa. Baltasar Gracián, na sua Arte da Prudência, ensina que ‘o discernimento profundo é filho do correto pensar e somente a reflexão atenta afasta o infortúnio’. Para ele, há que se descobrir o poder que a ação refletida tem. Talvez essa atitude seja um caminho para concretizar sonhos, minimizar frustrações ou aprender a lidar de forma mais construtiva com elas.

O pequeno grande poder. Arundhati Roy, escritora e ativista indiana, chama atenção para o poder diluído nos atos cotidianos do ser humano. Para ela, esse poder é assustador e pode redimir ou destruir. E se olharmos o que fazemos com o planeta com o somatório de nossos atos; o que muitos fazem com as suas histórias de vida, seja pela felicidade e acúmulo de decisões acertadas, seja pelos infortúnios acumulados de opções equivocadas, veremos que tal visão deve ser considerada.

O arranjo de cada um. Todos querem fazer da vida um arranjo harmonioso; uma obra de arte com notas em afinação com  o próprio desejo. Mas, pelo visto, não investimos muito no ensaio, na opção pelos instrumentos ou na proporção dos ritmos. Optamos por um instrumento e vamos tocando, sem atentar muito para o alcance da melodia, ou se a música tem conexão com tudo o que compõe nossa história.

Desejo, discernimento e ousadia. Aliar desejo, discernimento e ousadia é precioso para a composição de uma história em harmonia com o que somos e com o que queremos construir. Juntar essas três vozes no eterno arranjo e rearranjo da vida. Precisamos compor a melodia da lucidez que aclara os territórios por onde nos movemos. 

Balada para o discernimento. A  balada consiste em um tipo de expressão musical, necessariamente polifônica,  pois não pode ser executada a uma só voz. Nela, há sempre uma voz aguda, em destaque, acompanhada por outras duas vozes graves seguidas por instrumentos. E se pensássemos nossa vida como uma balada composta pela voz aguda do desejo em conjunção com as vozes graves do discernimento e da ousadia, initerruptamente até o momento final? seja do ano, do dia, da vida?

E a lista de desejos? Tomamos novamente emprestado o pensamento de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol que viveu no século XVII, quando nos ensina que o pensamento fecundo, o discernimento profundo, e o gosto agradável pelo viver fazem com que certas vidas irradiem luz.  Pensemos nessa frase quando fizermos nossas promessas de fim-de-ano. Escreva seu desejo e suas esperanças com os raios luminosos da sabedoria.

Feliz lista de desejos para 2012!

As vozes do desejo, do discernimento e da ousadia compõem a melhor balada...

Dedico este ensaio a Clemente G. M. Benigno. Alguém que tem construído uma história de determinação e perseverança.

Ame amar o amor … 30/10/2011

Posted by Liduina Benigno in Ensaio.
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É preciso retirar o véu que nos impede de ver o poder do amor...

Sim. Existe uma mágica no amor.

E não há segredos. O amor encerra um benéfico poder realizador. Quando amamos, somos impulsionados a tomar atitudes para materializar esse sentimento. Cria-se, então, um circúito afirmativo do que é encantador e mobilizador de nossas melhores ações.

É.  O amor não se encerra no sentir. Ele é corporificado pela expressão de atitudes edificantes: cuidado,  dedicação, zelo, admiração, benevolência, respeito e encantamento. Por isto, podemos dizer que o amor é construtivo.

Amemos. (mais…)

Nossa criança interior… 12/10/2011

Posted by Liduina Benigno in Ensaio.
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Exercícios para o equilíbrio...

Há uma criança que habita nosso ser.  Somos seres de expansão e crescimento. Somos capazes de evoluir. Sempre.  Da ouverture até o epílogo da  grande ópera da vida precisamos continuar afinando instrumentos. E construir esse crescimento exige refletir  sobre a coragem para  transformar as  próprias atitudes.

Se olharmos com olhos que enxergam, veremos que nos dividimos entre pessoas rígidas, cujo repertório de  atitudes muda pouco; e pessoas de vontade fraca. Decisões  mutáveis. Em rotatividade. Permanente adaptar-se aos outros. Ao ambiente.

Das primeiras, podemos dizer que têm dificuldades para perceber a vida em constante fluxo. Agem de forma estereotipada. Movidas pelo hábito,  por opiniões e visões fechadas.

Alguém já apelidou à dificuldade para mudar pensamentos e atitudes como “Síndrome de Gabriela”. (mais…)